terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Comer, beber... O que mais?


Meu nome é Cecilia, sou nutricionista clínica e funcional e atuo, há 8 anos, em um consultório em Niterói. Sou mãe de um lindo menino chamado Pedro, que apesar de seus 2 anos de idade me ensina todos os dias o que é ser mãe e uma pessoa melhor! 

Quando a Renata me chamou para essa parceria, fiquei muito feliz, pois sei que nos, mamães de primeira viagem, temos muitas dúvidas sobre varias questões, afinal, é toda uma nova vida que começa para nos, além de uma vida nova que colocamos no mundo.

Hoje, vamos falar um pouco sobre alimentação na gestação. E, se vcs gostarem, podemos falar de outros temas ligados a nutrição que, também, geram duvidas nas mamães.

A alimentação, durante o período gestacional, é sempre motivo de muita insegurança, mas para mim, que sou nutricionista! São muitos estudos, muitas discussões a cerca do que é melhor para o bebe. Vou tentar trazer aqui, um pouquinho do que devemos ou não comer e beber durante, essa fase, baseado na minha experiência e nesses estudos.

Durante os 9 meses, temos a responsabilidade de nos alimentarmos bem e de forma saudável para o crescimento adequado do bebe e para prevenção de doenças como diabetes gestacional, eclampsia, edemas, constipação, dentre outros.

Nos 3 primeiros meses, a palavra é enjoo! Algumas gravidas mais, outras menos. Alimentos cítricos, nesta fase, costumam ser melhores tolerados. Eu mascava cristais de gengibre, me ajudou muito. Tinha o habito, também, de tomar café – logo tirei, pois me agitava e dava muita náusea...

Importante, também, darmos preferencia para alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes  e verduras, sem esquecer de higieniza-los, da forma correta, por favor!!! Para evitar a contaminação de protozoários, verminoses. Eu usava o hidrosteril. São 20 gotas para cada um litro de agua.  Tem varias outras marcas no mercado: agua sanitária, clorin... Outro habito que é legal introduzir é o consumo de cereais integrais como pães integrais, arroz integral, massas integrais, cereais como musli, granolas sem açúcar. Evitar, também, carnes mal passadas, ajuda a não termos surpresas indesejadas!!! As vezes, tinha festas de aniversários em churrascaria e ficava super atenta ao ponto da carne - sempre bem passada. Carne crua tem muitos riscos de contaminação, e, para grávida, esse risco pode ter consequências serias.

Dentro dos riscos de condições serias na gravides, encontramos o aumento da pressão arterial. Para evitar esse problema, fiquem atentas com o sal que, também, causa retenção de liquido. Em casa, troquei pelo sal rosa, mas pode ser o sal marinho, gersal, sal light com baixo teor de sódio. E pra quem acha que refrigerante não tem nada a ver com isso, fiquem sabendo que estes são ricos em sódio, diminuem a absorção de vitaminas e ainda causam desmineralização óssea! Isso tudo, mesmo sendo "doce"!!!

Falando em doces, muito cuidado com excesso dos doces! Esta, também, é outra causa de condição seria, na gravidez, pois aumentam a glicemia e prejudicam a oxigenação adequada do bebe. E, a verdade é que, com o aumento e variação hormonal, temos vontade de comer doce e coisas gostosas, o tempo todo. Mas temos que nos controlar, afinal, o que importa é a saúde, ainda mais nessa fase da vida, que vc está gerando outra vida! A maior duvida que tenho,, em consultório é a respeito do uso de adoçantes. As opções que temos mais indicados para uso das gravidas são:  xilitol e stevia e a sucralose, mas essa em quantidade moderada.

Sei que dei muitas indicações aqui e espero ter tirados algumas duvidas. Minha experiência como grávida foi muito enriquecedora, pois uma vez grávida, consegui perceber bem as dificuldades e incertezas que envolvem, essa fase... Ter que ficar atenta aos rótulos, produtos químicos, alterações em exames de sangue... E entendo que, em alguns momentos, nos bate um desanimo em ter que controlar tanto o que se come... O que tento passar para minhas pacientes é que o ganho de peso ser controlado, nada tem haver com estética, mas com a saúde do bebe e seu desenvolvimento. A alimentação adequada variada e rica em nutrientes, possibilita que o bebe ganhe peso, adequadamente, reduzindo complicações para mamãe e bebe, tanto durante a gravidez ,quanto no pos-parto. Sei que, as vezes, é chato pensar que vamos ficar cheias de restrições para comer isso ou aquilo e ter que ficar tomando conta de tudo que se come...  Mas a dica mais importante é: alimentação saudável, durante a gestação, é nossa primeira responsabilidade com nossos filhos!

Espero que tenha ajudado um pouquinho com minha experiência!!! E ficarei muito feliz em voltar com novos temas para conversarmos! Até a próxima!!!

Um beijo
Cecilia


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sobre como eu fui quando fui diabética na gestação - Por Bia Mello

Sabe aquele exame, que fazemos na gravidez, que temos que tomar aquele xarope horroroso e ficar de castigo no laboratório, por algumas horas, para coletas de amostras de sangue? Só de lembrar, já deu um arrepio, não é? Agora, imagina só… eu fiz 3!

Mas, vamos voltar um pouco no tempo, alguns meses antes do primeiro exame da curva glicêmica.

Minha gravidez foi planejada. Para falar a verdade, fiquei surpresa por ter conseguido engravidar rápido. Sempre fui muito ansiosa e achava que isso atrapalharia as coisas. Mas nada como férias, não é mesmo? 

Os primeiros meses da gestação foram um mix de alegria e muito, mas bota muito enjoo. Perguntei para várias amigas se aquilo era normal. Pesquisei na internet todas as dicas, receitas da vovó, mandingas, qualquer coisa que fizesse passar aquele terrível mal estar. E o pior, é que as sugestões de “tratamento” eram para mulheres que enjoavam pela manhã, o que não era o meu caso. Eu passava muito mal a tarde. Parecia que o almoço queria bater longos papos comigo, até de noite e ficava no meu estômago, reinando soberano.

Resultado… só nos primeiros 5 meses, engordei quase 10kg. Sim! O que algumas mulheres engordam numa gravidez inteira. Por causa desses enjoos e por não conseguir manter uma alimentação regrada, engordei mais da metade do que ganhei de peso, durante toda a gestação.

Resultado 2… o exame de curva glicêmica indicou que eu estava com diabetes gestacional. Embora o ganho de peso tenha sido muito rápido e o histórico da minha família, também, favoreça a diabetes, foi um senhor surto, um verdadeiro soco no estômago. Acho que com aquele resultado, foi a primeira vez que me senti mãe. Tinha alguém dentro de mim, que dependia, realmente, do que eu fizesse aqui fora para se desenvolver bem, lá dentro.

O primeiro puxão de orelha foi da obstetra, que em um e-mail curto e direto, indicou que eu procurasse um endocrinologista e um nutricionista, o mais rápido possível. Não pensei duas vezes, encaminhei o e-mail para a minha nutricionista, aquela que eu deveria ter procurado, logo depois das férias, quando descobri que estava grávida. Segundo puxão de orelha! A dieta era muito restritiva. Mas para mim não importava, agora, era pela minha filha. O terceiro puxão de orelha veio do endocrinologista, este pelo menos era a primeira vez que me via. Foi indicação de uma amiga que, também, teve diabetes gestacional. Acho que o puxão de orelha, quem me deu, fui eu mesma durante a consulta, quando ele me explicou, com detalhes, o que poderia acontecer se eu não controlasse a glicose durante a gravidez. Tenso!

Passei uma semana pianinho! Seguindo todo o plano da nutricionista, mas não teve jeito. Mesmo controlando a alimentação, tive que usar insulina. Até que com o tempo, já estava na rotina os furos no dedo, e as picadas nas cochas e nos braços. Fora os roxos... Porque, uma coisa que eu tenho é boa mira! Como eu fui boa em acertar vasos com a aplicação da insulina e a minhas cochas e braços ficarem com pontos roxos. 

Claro que tinha o lado bom da história, toda história tem. Fui liberada para fazer hidroginástica e era a parte mais divertida do dia. Eu e as minhas amigas da terceira idade. A barriga ia crescendo e o número de vovós aquáticas que a Lara ganhava, também. Adorava estar dentro d’água. Era o único lugar com aquela barriga toda que eu me sentia leve e conseguia fazer os movimentos, pelos menos a maioria, porque tocar os dedos do pés com as mãos, era missão impossível. Conseguia até correr! Meu marido que ficava “preocupado” porque com tanta agitação, lá dentro a Lara tinha é que se segurar muito bem pelas paredes! kkkkk.

Não foi fácil! Mas também não foi o fim do mundo! Fui muito mais paparicada! Não podia comer na rua, mas quando ia na casa de alguém, sempre tinha alguma coisa especialmente preparada para mim. Minha bolsa pesava tanto quanto eu, com tantos lanches e alimentação “plano B”. Nunca comi tão saudável e tão bem, em toda a minha vida. Embora, toda ultra fosse um momento de apreensão, para saber se as medidas da Lara estavam dentro do normal. Era um alívio e uma felicidade saber que eu estava fazendo bem para a minha filha. E a cada nova consulta com a obstetra, ao invés de bronca pelos quilos a mais, era uma alegria pelos quilos a menos. Consegui emagrecer durante a gravidez. Eu perdi peso e a pequenininha lá dentro, ganhava. 

Então chegou o dia dela nascer. Eu queria muito o parto normal, mas tive um rompimento alto da bolsa e em função do risco de infecção pela diabetes gestacional, Lara nasceu de cesariana, mesmo depois de algumas tentativas de indução. Ainda por causa da diabetes gestacional, tanto eu quanto ela tínhamos nosso dedo e pezinho furados enquanto estivemos na maternidade. O risco dela nascer diabética ou fazer um quadro de hipoglicemia existia, mas, felizmente, eu cuidei muito bem da minha filha!


Saber que você está diabética na gestação é duro! Por isso, não deixe o sentimento de culpa e os “se” dominarem você. Procure uma boa equipe de saúde para te orientar e assuma seu papel de mãe.